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CLÁUDIO CAVARGERE CONHECE A ÁREA de consumíveis para pré-impressão como poucos no Brasil. Integrante da Segunda turma formada pela escola Senai Theobaldo De Nigris, quando a instituição ainda nem havia adotado tal nome, o especialista construiu toda sua carreira profissional no setor gráfico. Primeiro foi bolsista na Editora Abril, no início da década de 70. Já contratado, teve oportunidade de acompanhar o trabalho do consultor Pietro Chasseur na estandardização da áreade pré-impressão da Abril. Em 1976, foi convidado para integrar o corpo docente da Escola Senai, na qual permaneceu por três anos. O porto seguinte foi à área de vendas da Kodak Polychome Graphics no Brasil, empresa que deixou em dezembro de 1998 como diretor de Operações. Em março do ano seguinte assumiu a diretoria comercial da área gráfica da IBF, Indústria Brasileira de Filmes, em cujo escritório deu esta entrevista à Tecnologia Tecnologia Gráfica, discutindo as tendências para o segmento de chapas para CTP.

Porque que muitos especialistas defendem a idéia de que antes de comprar uma platesetter é preciso pensar na chapa?

Cláudio Cavargere - Porque ainda hoje o mercado dispõe de poucos fabricantes de chapa para CTP. Dentre esses, só dois ou três produzem os quatro tipos de chapa que se consolidaram, que são a térmica, a fotopolímera, a violeta e a convencional. No Brasil só são fabricadas as térmicas e convencionais, sendo as demais importadas.

E isso é um problema?

CC - Quando você pensa em papel ou filme, a importação não é crítica. Mas quando se trata de chapas, suas inúmeras variáveis - mais de 400 formatos e espessuras, negativas ou positivas - dificultam a administração local dessa demanda.

Porque as chapas térmicas se destacaram?

CC - Atualmente existem cerca de 5.500 sistemas CTP em funcionamento no mundo e 70% utilizam a tecnologia térmica. Ela foi a primeira a tornar o CTP economicamente viável, proporcionando diminuição de custos e ganhos de qualidade na impressão. A tecnologia surgiu como uma opção aos primeiros sistemas de gravação digital, que usavam chapas a base de prata. Quando o conceito de gravação direta à chapa surgiu, no inicio da década de 70, eram necessários lasers de alta potência para gerar imagens nas chapas, o que inviabilizava comercialmente o sistema por seu custo e rigidez. A saída encontrada foi tornar as chapas mais sensíveis, por meio da aplicação de uma camada de prata. Porém, as chapas à base de prata, que praticamente não são mais usadas, são caras e seu processamento, com sua complexidade natural e o uso de químicos específicos - envolvendo a revelação dos cristais de prata e a eliminação ou não dos fotopolímeros - torna difícil o controle do processo como um todo, contrariando a idéia central do CTP, ou seja, um sistema mais simples e confiável. A resposta dos fabricantes foi à tecnologia térmica, com ganhos de qualidade e ganhos comprováveis de produtividade.

A tecnologia térmica atende a todas as necessidades?

CC - Ainda não podemos fazer esta afirmação. Hoje, de uma maneira geral, as chapas térmicas atendem ao mercado comercial, incluindo jornais de pequenas e médias tiragens. Nos grandes jornais, onde se processam altos volumes de chapas - acima de 200/hora - no momento do fechamento da edição, a alternativa imediata é o uso do laser violeta para gravação em chapas fotopolímeras ou de prata. Por gerar pontos de alta qualidade e em grande velocidade, alguns fabricantes afirmam que ela substituirá as demais tecnologias. Porém, o processamento da chapa não é tão controlável quanto a tecnologia térmica - como laser é de baixa potência, a chapa tem de ser bastante sensível, tornando o processamento muito instável - e o reduzido numero de fornecedores de chapas e de químicos específicos tornam os especialistas céticos quanto às pretensões da tecnologia de laser violeta.

Quais são as tendências, então, com relação às chapas para CTP?

CC - Acredito que os fornecedores investirão cada vez mais nas chapas térmicas sem processamento químico, ablativas e não ablativas. Além disso, a tecnologia de gravação com laser violeta em chapas fotopolímeras deverá sobrepujar o laser vermelho e verde. Eu diria o seguinte: Se você está pensando em aumentar a qualidade e a produtividade da gráfica deve migrar para o CTP. Se a prioridade é elevar a qualidade, invista na tecnologia térmica. Mas, se você está satisfeito com a qualidade de seu produto hoje, invista no CTP com chapas convencionais. E para aqueles que precisam de 200 chapas ou mais por hora a melhor opção são os sistemas com laser violeta.


Fonte: Revista Tecnologia Gráfica, Janeiro de 2002.
 
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